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João Marinheiro | Adriano Axel | Paulo Amaral | Demais artigos: Biblioteca
Pedro J. Deus


Causos da aviação
pedro@airandinas.com

Jan./2001

Creio que muitos não acreditarão no que vou contar aqui porém esses relatos são verídicos e de fato ocorreram. Acredita quem quiser.

Pealando o teco-teco

Na região da campanha do Rio Grande do Sul, não sei ao certo em qual cidade, havia decolado um monomotor paulistinha. Em seu passeio domingueiro, o piloto avistou um sujeito a cavalo lá em baixo, no pasto.

Reduziu a potência e foi baixando, enquanto curvava para se aproximar do dito cidadão. A uma certa altura, começou a dar mais potência porém continuou descendo e efetuou uma passagem baixa sobre o coitado. O cavalo se assustou um pouco mas logo foi acalmado pelo seu companheiro das lides do campo.

Potência pra frente e o avião vai subindo e fazendo nova curva. Nova passagem sobre o cavaleiro que já está louco da vida. Saca do seu laço de couro cru e se prepara para a nova passagem do teco-teco.

Ao efetuar a terceira passagem, o gaúcho arremessa o laço e peala (laça) o avião. A corda bate na hélice e se enrodilha no cone da mesma e na asa do avião, que a pouca altura do solo se estatela no chão. O piloto saiu vivo e sem ferimentos, mas apanhou de rebenque do gaúcho que não perdoou a desfeita.

Nesse caso o avião não chegou a ser laçado propriamente dito, mas o encontro da hélice com o laço foi suficiente para abater a aeronave, pois certamente danificou as pás, o cone e as carenagens do motor e partes da asa, além de ter provocado uma forte perda de velocidade, o que fez com que o paulistinha se espatifasse no chão.

Olha o que veio na minha linha!

No litoral "doce" do Rio Grande do Sul, ou seja na beira da imensa Lagoa dos Patos, dois cidadãos estavam pescando tranquilamente num fim de semana, acampados na beira da lagoa. Esse fato ocorreu provavelmente em Camaquã, que tem um aeródromo próximo.

Pois bem, nas proximidades sobrevoava um pequeno monomotor, provavelmente um Cessna. O piloto, também divertindo-se em seu fim-se-semana, resolveu voar baixo em direção à Lagoa. Avistou os pescadores e quis assustá-los vindo baixo por trás. Manobrou o avião para fazer a passagem, até aí tudo ok. Agora voltemos para os pescadores:

Um deles havia perdido a isca. O peixe mordera o anzol e roubara a isca do sujeito. Recolhe a linha e isca de novo o anzol. Solta o anel da carretilha, segura a linha, traz o caniço pra trás e arremessa!

Pois nesse momento, o infeliz do piloto do avião estava praticamente sobre eles. A chumbada da linha vai subindo e indo pra frente, e por capricho do destino foi parar na frente do avião. O impacto do pára-brisa com o peso de chumbo quebrou o vidro e foi atingir o olho do aeronavegante. Meio atrapalhado pelo susto e com o olho sangrando, o piloto ainda conseguiu controlar o avião e pousou sem outros problemas no aeródromo.

A brincadeira custou um párabrisa novo ao avião e um tratamento cuidadoso no olho do sujeito, que depois teve problemas de ordem médica com o SERAC para poder voltar a voar. Ao pescador, teve que comprar uma chumbada e um anzol novo, mas em compensação pegou um peixão. Afinal, quantos dourados e surubis não custam às vzes muito mais do que isso?

Bom, e aqui se encerram os causos, ambos absolutamente verídicos. Insisto nisso porque já teve gente que não acreditou na história, porém no Sul essas hitórias são bem conhecidas. A primeira aconteceu na década de 50 e a última eu não tenho maiores dados.

Quem souber de mais algum mande para nós através do Espaço Livre!


*Pedro J. Deus é aluno de PPL no Aeroclube de Veranópolis e administrador do quadro de horas dos alunos-pilotos Andinos.
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