Jan./2001
Creio que muitos não acreditarão no que vou contar aqui porém esses
relatos são verídicos e de fato ocorreram. Acredita quem quiser.
Pealando o
teco-teco
Na região da campanha do Rio Grande do
Sul, não sei ao certo em qual cidade, havia decolado um monomotor
paulistinha. Em seu passeio domingueiro, o piloto avistou um sujeito a
cavalo lá em baixo, no pasto.
Reduziu a potência e foi baixando,
enquanto curvava para se aproximar do dito cidadão. A uma certa
altura, começou a dar mais potência porém continuou descendo e
efetuou uma passagem baixa sobre o coitado. O cavalo se assustou um
pouco mas logo foi acalmado pelo seu companheiro das lides do campo.
Potência pra frente e o avião vai
subindo e fazendo nova curva. Nova passagem sobre o cavaleiro que já
está louco da vida. Saca do seu laço de couro cru e se prepara para
a nova passagem do teco-teco.
Ao efetuar a terceira passagem, o gaúcho
arremessa o laço e peala (laça) o avião. A corda bate na hélice e
se enrodilha no cone da mesma e na asa do avião, que a pouca altura
do solo se estatela no chão. O piloto saiu vivo e sem ferimentos, mas
apanhou de rebenque do gaúcho que não perdoou a desfeita.
Nesse caso o avião não chegou a ser
laçado propriamente dito, mas o encontro da hélice com o laço foi
suficiente para abater a aeronave, pois certamente danificou as pás,
o cone e as carenagens do motor e partes da asa, além de ter
provocado uma forte perda de velocidade, o que fez com que o
paulistinha se espatifasse no chão.
Olha o que veio
na minha linha!
No litoral "doce" do Rio
Grande do Sul, ou seja na beira da imensa Lagoa dos Patos, dois cidadãos
estavam pescando tranquilamente num fim de semana, acampados na beira
da lagoa. Esse fato ocorreu provavelmente em Camaquã, que tem um aeródromo
próximo.
Pois bem, nas proximidades sobrevoava
um pequeno monomotor, provavelmente um Cessna. O piloto, também
divertindo-se em seu fim-se-semana, resolveu voar baixo em direção
à Lagoa. Avistou os pescadores e quis assustá-los vindo baixo por trás.
Manobrou o avião para fazer a passagem, até aí tudo ok. Agora
voltemos para os pescadores:
Um deles havia perdido a isca. O peixe
mordera o anzol e roubara a isca do sujeito. Recolhe a linha e isca de
novo o anzol. Solta o anel da carretilha, segura a linha, traz o caniço
pra trás e arremessa!
Pois nesse momento, o infeliz do piloto
do avião estava praticamente sobre eles. A chumbada da linha vai
subindo e indo pra frente, e por capricho do destino foi parar na
frente do avião. O impacto do pára-brisa com o peso de chumbo
quebrou o vidro e foi atingir o olho do aeronavegante. Meio
atrapalhado pelo susto e com o olho sangrando, o piloto ainda
conseguiu controlar o avião e pousou sem outros problemas no aeródromo.
A brincadeira custou um párabrisa novo
ao avião e um tratamento cuidadoso no olho do sujeito, que depois
teve problemas de ordem médica com o SERAC para poder voltar a voar.
Ao pescador, teve que comprar uma chumbada e um anzol novo, mas em
compensação pegou um peixão. Afinal, quantos dourados e surubis não
custam às vzes muito mais do que isso?
Bom, e aqui se encerram os causos,
ambos absolutamente verídicos. Insisto nisso porque já teve gente
que não acreditou na história, porém no Sul essas hitórias são
bem conhecidas. A primeira aconteceu na década de 50 e a última eu não
tenho maiores dados.
Quem souber de mais algum mande para nós
através do Espaço Livre!
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